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Where no cars go

por franty { Tags: , , , \ Oct13 }

Eu moro na esquina de uma das maiores avenidas da cidade, então, mesmo daqui do quinto andar, o barulho dos carros, buzinas, sirenes e a poluição causada por eles já se tornou parte da minha vida diária, não que eu realmente goste disso.

O caso é, que daqui de cima a cidade parece crescer apenas na direção das garagens, isto é, eu não vejo mais casas, mais pessoas, mas sim mais carros. E olhando para dentro desses carros eu não vejo famílias inteiras ou pessoas pegando carona, eu vejo motoristas solitários.

Mas tudo se explica na hora de sair de casa. Mesmo morando perto de tudo, certas vezes sou obrigado a pegar um ônibus, o que é um problema. Primeiro o preço, que parece pouco mas se pensarmos o quanto se gasta por passagem em um ano, o valor assusta, depois o total desconforto, não tanto do ônibus em si (que na maioria dos casos é confortável o suficiente), mas do “atrolhamento” (na falta de melhor termo para descrever a sensação de lata de sardinhas que é pegar um ônibus no horário do rush) e da total falta de respeito com horários (quem nunca chegou atrasado por conta de um ônibus demorado). Então, somando-se a isso um marketing desgraçado de bem feito (propaganda de carro é sempre tudo de bom), uma cultura individualista e um desejo de status do macho (e fêmea) dominante, temos como resultado essa bagunça toda que acontece ali embaixo.

Claro que não sou o único a sentir que tem algo de extremamente errado com o fato do carro ser o principal meio de transporte urbano. O site carfree.com, por exemplo, descreve alternativas e propõe uma idéia radical: a criação de cidades completamente SEM CARROS.

A idéia propõe uma discussão muito válida. Não imagino a minha cidade realmente sem carros (mesmo porque isso destruiria o meu sonho de atravessá-la num Ecto-1), mas uma melhoria expressiva nos sistemas de transportes públicos e ainda mais, uma total revolução urbanística, na qual a necessidade de se transportar com algo mais rápido do que uma bicicleta seja abolida, iria gerar uma melhoria da qualidade de vida nesta e em qualquer outra grande cidade que eu conheça.

O pior disso tudo é que eu não vi nenhum candidato a prefeitura nestas últimas eleições sequer pensar em algo do gênero.

Crédito da foto: RaphaelStrada

5 comentários so far, Say something?

  1. 1

    Bueno

    Belo texto Franty.

    Poa tá um caos mesmo. Mas esse (infelizmente) é um problema que só é pensado – e consequentemente prometido em campanhas eleitorais – , em países desenvolvidos.

    Olha o que é o centro de Porto Alegre. Tu precisa de 45 minutos pra sair de lá em horário de pico, mais 150 reais por mês em uma garagem e ainda assim tem gente que prefere ir de carro sozinho do que pegar um ônibus!

  2. 2

    Felipe Meneguzzi

    Na realidade, o Ken Livingstone perdeu a eleição daqui porque os projetos dele incluíam aumento de taxas para veículos poluentes, enquanto que o imbecil do Boris Johnson ganhou prometendo o contrário, inclusive abolir a congestion charge que cobra oito libras de quem quer que transite de carro no centro da cidade durante o dia. Apesar de aqui o número de ciclistas aumentar bastante, Londres está bem longe de ser uma cidade “cyclist-friendly”. O melhor lugar para cidades verdes com faixas exclusivas e semáforos só para bicicleta é a Alemanha, paradoxicalmente o lugar conhecido pelos seus carros velozes.

  3. 3

    franty

    Concordo que Londres não é “cyclist-friendly”. A guitarrista do Stereolab morreu andando de bicicleta na capital inglesa há cerca de três anos. Mas Porto Alegre é bem pior… Eu não tenho coragem de andar de bicicleta no meu bairro (Rio Branco/Bom Fim)…

    Já andei de bicicleta em londres…. Mas não sofri maiores acidentes :P

  4. 4

    Felipe Meneguzzi

    Depende de onde tu anda de bicicleta, tipo, se eu fosse andar de bicicleta da minha casa (em Camberwell) até o King’s College (em Westminster), eu tenho que passar na rotatória de Elephant and Castle, e honestamente com 30 linhas de ônibus passando por ela, mais os carros, me parece uma receita para o desastre. Fora que dividir o corredor de ônibus com os “double decker buses” colados atrás de ti não me parece muito saudável ;-)

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