Pablo, honey?
por franty { Tags: Pablo Honey, Radiohead, Resenhas \ Feb11 } 
Enquanto escutava o Pablo Honey durante os últimos dias, lembrei constantemente da apresentação que a Gwyneth Paltrow fez para o Radiohead na cerimônia do Grammy. Mesmo tendo sido um bocado melosa, a atriz chamou a atenção ao fato de que esta é A Banda Que Influencia E Inspira As Outras Bandas. Não estou falando somente de bandas novas, mas também de artistas que estão tocando há pelo menos tanto tempo quanto o quinteto de Oxford.
O caso é que, o disco de estréia do Radiohead marca uma época (1993) em que a banda ainda não estava a frente da maioria das outras, quando eram apenas mais uma banda nova que tinha chamado a atenção de uma boa quantidade de gente com um single (Creep) e tinha pela frente a difícil tarefa de não se tornar mais um “one hit wonder”.
Isso não foi fácil. Creep vai ser sempre diferente de todas as outras músicas do Radiohead. Ao contrário da maioria das suas gravações, que são exaustivamente ensaiadas, retransformadas, gravadas em diversos takes e com muitos overdubs, Creep foi registrada em uma única tomada, quando a banda resolveu tocá-la para se “aquecer” antes de gravar outra música. Sem que eles percebessem, a performance foi para a fita, e nem a tentativa do guitarrista Jonny Greenwood de sabotar a canção (aquele riff que faz “kerrunch” antes de “but i’m a creeeep“) foi capaz de impedir que a performance ficasse muito boa (o riff acabou virando um dos pontos altos da canção) e o single foi sucesso na Inglaterra e em Israel (sim, lá mesmo).
De uma certa forma, Pablo Honey (cujo título foi inspirado numa esquete do Jerky Boys) era uma espécie de “best of” dos shows do On A Friday (primeiro nome do Radiohead, que mudou quando eles assinaram com a EMI). As músicas foram, no entanto, retrabalhadas, para que soassem mais uniformes.
O disco deu certo, em parte. Não houveram outros hits, apesar de que os singles da época venderam relativamente bem (eles nunca foram uma banda “topo das paradas”, mas chegam em boas posições, como 20, 40 – que já é mais do que muita banda), mas a crítica foi, em grande parte, favorável.
Então, a cada album que o Radiohead lançava, Pablo Honey foi caindo cada vez mais no esquecimento, tanto do público quanto da própria banda (que raramente toca alguma coisa desta época). Eles descobriram uma fórmula mágica para se tornar o que são hoje em dia. Cada trabalho é visto como um desafio (novamente, tanto da banda quanto do público), uma retransformação do grupo que parece nunca estar confortável em seguir um caminho seguro.
Por isso, Pablo Honey começou a adquirir um status maldito. Muitos fãs o rejeitam, um pouco devido ao seu rock simples e direto, outro pouco ao fato de que as outras faixas não tem o mesmo impacto emocional de Creep (esse “impacto”, por mais que a banda evolua, continua sendo uma marca registrada – hoje na maioria das músicas). Por mais estranho que pareça, o disco acabou se transformando em uma pérola secreta dos anos 90. Muita gente fala a respeito, pouca gente realmente ouve (mas esses poucos acabam descobrindo um ótimo disco).
A fórmula é simples. Emprestado dos Pixies, o Loud, Quiet, Loud (no caso do Radiohead é mais algo como Quiet, Loud, Quiet) garante momentos de sensibilidade pop intercalados com uma avalanche sonora (garantida pelo trio de guitarras) sem muitos espaços vazios.
How do You?, por exemplo, lembra até um pouco de Blur (imagine Damon Alburn cantando ela, é fácil), é simplesmente pop, talvez a música mais despretenciosa que eles já fizeram.
Stop Whispering atraiu comparações ao U2 (urgh), mas parece ser uma tentativa de Creep 2 (menos tosca).
Thinking About You é a primeira de muitas vezes que ouviremos Thom Yorke fazendo a base principal no violão – como posteriormente em Fake Plastic Trees, How to Dissapear Completely, True Love Waits e outras.
Anyone Can Play Guitar, que também foi single, mostra toda a ironia de Yorke nas letras, e um verdadeiro desfile de riffs de Jonny Greenwood.
Blow Out, a única que a banda parece ainda querer tocar, começa com uma introdução quase bossanovística, e se transforma em algo extremamente parecido com o que a banda faz nos dias de hoje. Essa semelhança é incrível, e faz com que o fã do Radiohead, desacostumado com o Pablo Honey, tenha uma agradável surpresa.
O album está longe de ser perfeito. Se fosse obrigado a dar uma nota para ele, daria uns 7,5. Mas que banda faz um disco de estréia perfeito? E mais, que banda faz um disco de estrada tão bem feito? Não é todo mundo que começa com um Creep no currículo.
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marcelo benvenutti
Eu como sou um cara bem comum conheci, ou lembro de algo assim, de saber que o Radiohead era a banda da música do comercial das crianças com Down.
Mas depois comprei o cd daquela época e o Pablo Honey. Escutei aquele, esqueci o nome agora, pra ver só, e não vou catar no tio Google, e vi que o Pablo Honey era bem melhor que o outro. E também achei algo meio U2, só que sujo.
Enfim, pra quem gosta de rock, que é o meu caso, é o melhor disco dos caras disparado. Os outros, principalmente o KidA só consigo achar graça bêbado, ao contrário do PH (que, aliás, faz tempo que não escuto).
Mas isso do primeiro disco acontece também com o Rush, o primeiro disco deles é de ROCK, sem nada do progressivismo nerd de depois, e o primeiro do Deep Purple é um disco beatlemaníaco mais pesado, mas com quase nada a ver com o que se transformaria depois.
Aliás, nada a ver com o assunto, tá sabendo que o Mickey Rourke tá comendo a Courtney Love? (sem comentários)
hehehe
franty
“Aliás, nada a ver com o assunto, tá sabendo que o Mickey Rourke tá comendo a Courtney Love?”
- Ah, se todo o comentário desse blog terminasse com uma frase dessas!
Bueno
Minha lembrança mais antiga do Radiohead é a do Beavis and Butthead comentando o clipe de Creep:
“Yeahhh…agora vem a parte boa (se referindo à parte ‘loud’)…essa música seria boa se fosse só a parte pesada”
hehehe
Eu adoro o Pablo Honey, por motivos parecidos com o do Benvenutti. Mas apesar disso também sou fão dos discos seguintes. O fato é que se o Pablo Honey tivesse sido lançado por qualquer outra banda, seria um clássico absoluto. mas como ele sucedeu a verdadeiras obras-primas ainda sofre com esse estigma.