Música, Radiohead {3} Comente este artigo

Kid A

por bueno { Tags: , , \ Mar6 }

kid a

Depois de lançar o petardo chamado Ok Computer, se consolidar como banda de primeiro escalão e forrar a guaiaca de cobre em uma turnê concorridíssima, os garotos de Oxfordshire voltaram ao estúdio para conceber seu quarto álbum. A missão não era das mais simples. Como superar o disco anterior? A saída foi a mais inteligente possível. Criar uma linha paralela e lançar um disco tão bom quanto, mas que nunca poderia ser comparado com os trabalhos anteriores. Lançar um irmão, ao invés de um sucessor.

Esse ponto, no meio do ano de 2000, foi crucial para o que viria a formar a imagem do Radiohead na história da música. Quase todos os elementos de Kid A – os calculados e os espontâneos-, acabaram se completando, marcando sua importância para algo além da música, algo que atingiria a indústria fonográfica de uma maneira realmente significativa.

Esqueçam as guitarras de The Bends, ou as músicas de arena do Ok Computer. Aqui o negócio foi mais embaixo. Eletrônica, Art-rock, Jazz, Ambient, entre outros, foram fundidos num caldeirão sonoro que a princípio assustaria não-iniciados. Num só disco o Radiohead ou criou, ou pavimentou o caminho para estilos que começaram a ser explorados por diversas bandas após o Kid A, como Krautrock e o Post-Rock.

Mas tão importante quanto a música, foram as tendências e acontecimentos que o disco causou na cultura da época. Houve, pela primeira vez uma concepção clara do disco – processo comum nas décadas de 60/70 que andava em desuso nas décadas posteriores. Além disso, os cenários da turnê, abusavam do branco e explicitavam a preferência da banda por não expor patrocínios. Os video-clipes (até então um dos principais trens pagadores da banda) foram deixado de lado, em troca de vinhetas surreais explorando idéias do disco.

Outro fato interessante foi o “vazamento” do disco antes do lançamento, inaugurando uma indústria paralela e milionária, que assolaria a internet após esse acontecido, chegando ao ponto de, anos depois, fazer até com que a banda liberasse o último disco na internet. Proposital ou não, naquele momento de 2000, o Radiohead começaria a (vitoriosa) batalha contra a indústria fonográfica.

Mas vamos às músicas. O disco começa com uma colagem concretista, que só poderia ser feita por uma banda européia: “Everything in its Right Place” é dura, simétria. “Kid A” a segue, unindo texturas ambientes a la Kraftwerk com batidas eletrônicas e vocal robótico.

“The National Anthem” entra de sola, com sua linha de baixo inesquecível e letra depressiva, deixando claro o estado de espírito de Thom Yorke. Outro ponto que chama a atenção é a adição de sopros e colagens durante a execução da música.

No meio do disco, surge “Optimistic”, que é daquelas obras-primas que só o Radiohead poderia criar. Letra inspiradíssima, arranjo primoroso e refrão destruidor.

Mais tarde, em “Idioteque” a batida eletrônica encontra as texturas de teclados e ruídos construidos cuidadosamente, mostrando a capacidade impressionante da banda de ser vanguardista e surpreendente. Uma das músicas mais singulares já feitas, na minha opinião. Uma porta de entrada para o século 21, mostrando pra nós como podem ser as músicas daqui 10, 20 anos. Algo tão a frente de seu tempo, que nem a própria banda ousou em tentar repetir a fórmula. Nela, Thom Yorke magistralmente canta a “…era do gelo chegando…”.

Praticamente em todos os finais de seus discos, o Radiohead nos deixava uma pista de como seria o seu próximo álbum. Em kid A, a pista se chamada “Morning Bell”. Saberíamos depois que ela caberia como uma luva no disco seguinte, Amnesiac.

“Motion Picture Soundtrack” é o que o nome promete. Ali, a banda evoca toda a produção musical alternativa européia do final da década de 60. Ou vai me dizer que ela não poderia servir como trilha sonora de um filme como o “More”?

Indiscutivelmente o mais importante, por muitos considerado o melhor da banda, o disco Kid A serviu para o grupo descobrir o seu jeito definitivo de agir. Moldando o mercado fonográfico como quisessem, e apontando feito timoneiros, o caminho a ser seguido.

Resenhas dos discos anteriores:

Pablo Honey?

The Bends

Ok Computer

3 comentários so far, Say something?

  1. 1

    franty

    Logo que o Kid A saiu eu fui a Londres visitar uns amigos. Como eles trabalhavam, eu passava a maior parte do dia sozinho, caminhando pela cidade (quase nadando pela cidade, com tudo aquilo de chuva) e ouvindo o disco no meu saudoso discman (também ouvi bastante portishead e air na viagem).

    Quando vazou, o Kid A me causou estranhamento, principalmente pelas duas primeiras faixas. Com o disco de trilha sonora das minhas caminhadas, ele se tornou algo familiar, e passou a fazer sentido.

    Enfim, entrei na Virgin e comprei o Kid A em vinil.

  2. 2

    sofia

    nojento! hééénn…

  3. 3

    René

    O melhor de todos!

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